Bayeux, que já foi cenário de tantas histórias inusitadas na política paraibana, volta às manchetes — e não é por um bom motivo. A bomba estourou, e a fumaça não é pouca: a Câmara Municipal acaba de instaurar uma CPI que pode, simplesmente, anular o tão contestado concurso público realizado no apagar das luzes da gestão de Luciene Gomes, a Luciene de Fofinho.
Se fosse roteiro de filme, talvez o título fosse: “Concurso a Toque de Caixa — Corram Antes que Descubram”. Isso porque esse certame nasceu cercado de dúvidas, desconfianças, denúncias e, agora, de uma investigação formal.
A denúncia chegou forte, vinda do repórter investigativo Wanderly Farias — nome que já virou sinônimo de dor de cabeça para políticos que gostam de trabalhar no escuro. Ele, que desde os primeiros rumores sobre o tal concurso alertava que o cheiro de coisa errada estava no ar, agora vê suas suspeitas ganharem corpo dentro da própria Câmara.
E não é qualquer denúncia. Fala-se em fraude, vícios, favorecimento, nomes de ex-secretários, parentes da ex-prefeita, e até um detalhe que beira o surrealismo: o presidente da comissão do concurso, pasmem, está foragido! Dizem que fugiu após ameaças. Se isso for verdade, então Bayeux não é só palco de escândalo, é roteiro de série policial.
O concurso, que deveria ser um instrumento de moralidade e acesso justo ao serviço público, virou uma peça de ficção mal escrita, apressada, cheia de erros grotescos, como se fosse mais importante concluir qualquer coisa — mesmo cheia de furos — do que fazer algo sério, transparente e decente.
A CPI foi instalada por unanimidade, e isso já diz muito. Afinal, até os aliados entenderam que não dava mais para segurar esse escândalo debaixo do tapete. Na linha de frente estão os vereadores Nildo da Casa Branca, que preside a CPI; Eloah Felinto, relatora; e Roseane Sarinho, como membro. A missão deles? Desatar esse nó, que mais parece ter sido dado de propósito, e apresentar um relatório em, no máximo, 120 dias.
A pergunta que ecoa nos corredores da cidade é direta: será que Bayeux vai, finalmente, deixar de ser laboratório de experiências políticas fracassadas? Será que a lógica do “faça nas coxas, entregue como der, e depois a justiça que resolva” vai, enfim, ser enterrada?
O que se sabe é que esse concurso, feito na correria, com cheiro de coisa mal explicada, pode muito bem se transformar no símbolo do que não se deve fazer na administração pública. E que sirva de lição: quando o interesse privado fala mais alto que o interesse público, a conta chega. E, dessa vez, quem pode pagar caro é quem tentou fazer da Prefeitura uma extensão da própria casa.
Que a CPI não seja só mais um capítulo do teatro político. Bayeux não merece mais esse papel de figurante em tragédia alheia.