10/09/2021 às 05h58min - Atualizada em 10/09/2021 às 05h58min

Bolsonaro volta a defender voto impresso e ataca Barroso; 'não convence ninguém'

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Foto: Reprodução
Durou poucas horas o tom pacífico adotado pelo presidente Jair Bolsonaro em sua "declaração à nação" de pacificação na relação com os outros poderes, em especial o Judiciário. Após afirmar na nota que não tem intenção de agredir quaisquer dos Poderes e que agiu no "calor no momento", o presidente voltou a atacar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso. Bolsonaro voltou a defender o voto impresso e afirmou que Barroso, na defesa da urna eletrônica, "não convence ninguém", durante a live desta quinta-feira.

O presidente afirmou que, se o presidente do TSE defende medidas protetivas ao sistema, é porque ele tem "brechas".

— É trabalhar contra a democracia? É colocar em risco a democracia? Palavras bonitas, que sei que o ministro Barroso tem, dada sua formação jurista, diferente da minha, que tem palavrão de vez em quando, mas não convence ninguém — afirmou Bolsonaro na sua live desta quinta-feira.

Na transmissão ao vivo de hoje, o presidente também reconheceu que o conteúdo da "declaração à nação", que divulgou mais cedo, contrariou seus aliados, mas afirmou não ver "nada demais" no texto, um recuo diante de sua postura agressiva às instituições nas últimas semanas e nos discursos do 7 de Setembro. Bolsonaro disse que acredita que vai recuperar a confiança de seus apoiadores em dois ou três dias.

— Fiz uma nota hoje que muita gente me criticou, que eu devia fazer isso e aquilo. Sou o chefe da nação e estou com o povo, onde o povo estiver. Eu estarei mais confortável se ficar no Alvorada, na minha casa, cuidar da minha vida e abandonar o povo. É comum político agir assim, ficar longe do povo. Tem cobrança, justas e outras não, que querem que eu tome medidas imediatas — disse Bolsonaro.

E pediu a seus aliados para "darem um tempo", que logo reconquistará a confiança deles.

— Dá dois ou três dias para a gente. Dá um tempo.

E apresentou dados positivos nos indicadores financeiros após o anúncio da sua mensagem ao país.

— Você quer gasolina mais barata, não quer? Gás. É tudo indexado. Às 3 horas (15h) publicamos a nota e a bolsa subiu 2%, 2.800 pontos e o dólar caiu 2%. Espero que continue caindo amanhã. Queriam que eu respondesse ao Fux, que fez um duro discurso. O Lira fez, o Aras fez e alguns do meu lado vieram com discurso pronto, dizendo 'você tem que reagir, tem que bater amanhã — disse Bolsonaro, que reafirmou ser necessário dar um tempo, deixar acalmar um pouco.

E contou sobre a ideia da nota e o convite a Michel Temer.

— Comecei a preparar uma nota. Liguei ontem à noite para o Temer e ele veio hoje aqui. Conversamos por uma hora, duas vezes. Ele colaborou com algumas coisas na nota e eu concordei e publiquei. Não tem nada demais ali. Dei resposta de que estou pronto para conversar sobre os problemas que tenha, com o Lira, o Pacheco, o Fux, o Barroso, que me deu um cacete - completou o presidente, que, no final voltou a criticar as urnas eletrônicas e o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

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