10/04/2018 às 19h38min - Atualizada em 10/04/2018 às 19h38min

Massacre deixa mais de 20 mortos em presídio na região metropolitana de Belém

Extra Online
Massacre deixa mais de 20 mortos em presídio na região metropolitana de Belém, no Pará - Reprodução
Pelo menos vinte e três pessoas morreram durante uma rebelião de presos no Centro de Recuperação Penitenciário do Pará III (CRPP III) na tarde desta terça-feira. Uma das vítimas é um agente penitenciário. A unidade prisional foi invadida por criminosos que queriam resgatar outros detentos. As mortes foram confirmadas pela secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará.

Além dos mortos, quatro funcionários ficaram feridos na invasão. O presídio é uma das unidades do Complexo Penitenciário de Santa Izabel, que fica na Região Metropolitana de Belém. Segundo a secretaria, o presídio sofreu uma tentativa de invasão, por volta das 13h, para auxiliar uma fuga em massa. A ação contou com apoio de um grupo externo fortemente armado. Uma equipe da Força Tática da Polícia Militar foi designada para o presídio. Até as 17h, a polícia tinha apreendido dois fuzis, três pistolas e dois revólveres.

 
“De acordo com informações preliminares, os presos também tinham armas dentro do presídio. Na tentativa de resgate foram utilizados explosivos contra um dos muros do solário do Pavilhão C. Neste momento, ocorreu então intensa troca de tiros entre a equipe que efetuava a tentativa de resgate em apoio externo, parte dos custodiados e a equipe do Batalhão Penitenciário”, explicou a secretaria.

Segundo um levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgado em março, o CRPP III tem vaga para 432 detentos, mas abriga 659 presos — a lotação está 50% acima de sua capacidade. Ainda de acordo com o levantamento, a situação do presídio é "péssima". O Complexo Penitenciário de Santa Izabel abriga cerca de 3.400 detentos.

Áudios, vídeos e informações obtidas pela reportagem do GLOBO mostram que agentes foram feitos reféns durante a fuga dos presos para facilitar o acesso dos presidiários à área da fuga, onde bandidos os esperavam com explosivos. Os detentos estavam altamente armados durante a rebelião, com uso de fuzis e metralhadoras. O Centro de Recuperação é cercado por grandes matas, e há relatos de agentes penitenciários ainda não encontrados nessas regiões.

Segundo números extra-oficiais, as mortes já chegam a 28, incluindo detentos, invasores e um agente penitenciário. De acordo com o coordenador do núcleo de Política Penitenciária da OAB do Pará, Antonio Graim Neto, no momento, o motim está contido, em processo de contagem de mortos e feridos.

 
"As casas penais do estado são superlotadas e têm mais de 14 mil presos em todo o estado. O Centro de Recuperação Penitenciário é considerado o que recebe os detentos mais perigosos. Os presídios têm membros de facções que disputam poder e território na região metropolitana de Belém", afirmou.

RECONTAGEM DE PRESOS

A Companhia de Operações Especiais da PM já deslocou efetivo tático para reforçar a segurança do Complexo. A superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) ainda não confirma se houve fuga de presos na ação. Uma revista e recontagem de detentos está sendo feita na unidade prisional.

A secretaria informou que, desde o início da tarde, foram iniciadas as buscas pelos criminosos que atuaram na tentativa de resgate em apoio externo. Também iniciaram as investigações para apurar os grupos que agiram neste episódio, assim como a entrada de armas na unidade, além de todas as circunstâncias das trocas de tiros durante a tentativa de resgate de presos.

O delegado Rodrigo Leão, diretor da Seccional de Santa Izabel do Pará, está com equipe policial acompanhando a situação, além de duas equipes da Divisão de Homicídios e uma da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).

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