01/03/2018 às 07h58min - Atualizada em 01/03/2018 às 07h58min

Delegada ligada a Beira-Mar é demitida por Ricardo Coutinho 17 anos após condenação

Blog do Suetoni
Delegada Maria Rodrigues foi demitida da Polícia Civil da Paraíba. Foto: Divulgação
A delegada Maria Rodrigues Vasconcelos foi demitida pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) nesta semana. Ela é acusada de proximidade com o traficante carioca Fernandinho Beira-Mar e chegou a ser condenada por isso. A condenação foi imposta pela juíza Therezinha Maria de Avellar Duarte, da 1ª Vara Criminal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em 2001. Mesmo assim, ela conseguiu reassumir o cargo na Paraíba. Maria Rodrigues foi presa em 2000, quando comandava a Divisão de Captura e Polícia Interestadual (Polinter) de João Pessoa, na Paraíba. Na época, ela foi acusada de cumplicidade com o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Apesar da condenação pelo caso de Beira-Mar, ela foi excluída do cargo por causa do envolvimento com a apropriação de fianças.
 
Maria Rodrigues foi gravada em áudio numa ligação com o traficante. A Justiça concluiu que Maria atuava na segurança da quadrilha do traficante, repassando informações sigilosas sobre operações de captura dos bandidos e inibindo ações policiais contra o grupo. Maria Rodrigues ainda ajudava financeiramente o bando de Beira-Mar – que a inocentou em conversa, por telefone, com um delegado da PF que acompanhava a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, no ano passado.

Outras doze pessoas ligadas a Beira-Mar foram condenadas pela juíza. A delegada afirmou, ao ser detida, que tinha informações para comprometer boa parte da polícia paraibana se revelasse tudo o que sabia sobre a ligação dos policiais com traficantes. Ela ficou presa na Companhia de Policiamento de Trânsito, no centro do Rio. Após sua prisão, o então secretário de Segurança Pública da Paraíba, Pedro Adelson, foi exonerado do cargo. A escuta feita pela PF revelou que a delegada mantinha contato constante com as irmãs de Beira-Mar Débora Cristina e Alessandra da Costa, que viviam na Paraíba, onde criavam filhos do criminoso.

Elas eram protegidas por policiais ligados à delegada. Em uma das ligações, Maria se comprometia com o traficante a vir ao Rio para interceder a seu favor junto à promotora Márcia Velasco e à juíza Therezinha, responsáveis pelo processo contra a quadrilha.

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