19/01/2017 às 13h17min - Atualizada em 19/01/2017 às 13h17min

Armadas com facas e pedras, facções se confrontam novamente em Alcaçuz

Jornal do Brasil
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Presos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, voltaram a se rebelar na manhã desta quinta-feira (19). Armadas com facas e pedras, as facções entram em confronto nos pavilhões. Sons de tiro e bombas também são ouvidos. Um helicóptero da polícia sobrevoa o local. Agentes penitenciários atiram balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, enquanto presos arremessam pedras e barras de ferro. Muitos gritos são ouvidos do local.

Negociação

Na tentativa de retomada do controle da penitenciária estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, uma delegada de Polícia Civil e um oficial da Polícia Militar mantiveram conversas com criminosos. "Nós os procuramos e dissemos que os conflitos tinham que parar, que não iríamos mais permitir confrontos dentro de Alcaçuz", disse o secretário de Segurança Pública e Defesa do Rio Grande do Norte (Sesed), Caio Bezerra.

Os negociadores teriam recebido reivindicações dos presos para avaliar a possibilidade de atendê-los. Um dos pedidos seria a transferência dos cinco detentos identificados como chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para uma penitenciária federal. 
A negociação com presos por parte da PM começou na segunda-feira (16), quando homens do Batalhão de Choque entraram em Alcaçuz e debelaram, por algumas horas, a rebelião iniciada na tarde do sábado (14).

Na tarde de quarta-feira, tropas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) entraram no presídio de Alcaçuz para dar início à triagem de cerca de 200 presos ligados à facção 'Sindicato do RN', que seriam transferidos para o Presídio Estadual de Parnamirim (PEP). 

Na terça-feira, os presos haviam voltado a ocupar os telhados das unidades do complexo. Segundo a Secretaria Estadual da Justiça e da Cidadania (Sejuc), o clima no local era tenso, mas as forças policiais estavam retomando o controle do estabelecimento pouco a pouco. 

Desde o último fim de semana, os presos já ocuparam os telhados da unidade pelo menos três vezes. A primeira, no fim de semana, quando a rebelião que deixou 26 mortos começou e grupos rivais passaram a se hostilizar, cada qual sob o telhado de um pavilhão. A segunda ocupação ocorreu na manhã de segunda-feira (16), depois que as forças policiais deixaram o interior da unidade. O Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) foi acionado e voltou à área no início da tarde de segunda-feira. Pouco depois, os presos desceram do telhado.

De acordo com a Sejuc, após uma noite sem registro de novas ocorrências, um grupo de presos voltou a subir ao telhado pela terceira vez. Mesmo com a presença de tropas policiais especiais no interior da penitenciária, a volta da situação à normalidade era demorada, pois o processo de retomada das dependências segue protocolos de segurança rígidos e os policiais avançam pouco a pouco.

"Governo tem o controle"

O governador do estado, Robinson Faria, negou na terça-feira (17) que a situação estivesse fora de controle no presídio. "O governo tem o controle. Tanto tem que conseguimos tirar os líderes do PCC", disse, ao citar que não houve mortes de policiais, agentes penitenciários ou reféns. "A briga ficou restrita entre o PCC e o Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte", completou.

Ainda segundo Faria, o papel dos homens da Força Nacional deslocados para a penitenciária é garantir a segurança da população e evitar fugas de presos, sem adentrar as instalações de Alcaçuz. Para ele, a entrada de forças de segurança no local neste momento poderia gerar mais mortes e "um novo Carandiru". "Temos que evitar que isso aconteça", concluiu.

Retaliação e vingança

Durante coletiva de imprensa, o governador avaliou que o ocorrido na Penitenciaria de Alcaçuz foi uma "retaliação" ou "vingança" à rebelião registrada no início do mês em um presídio no Amazonas. Ele disse que o país não pode ser "emparedado" por facções.

Faria também confirmou que há indícios de algum tipo de favorecimento que tenha permitido a rebelião na penitenciária de Natal. Ao final da entrevista, ele afirmou que agentes penitenciários e policiais que colaboram com a fuga de presos são "piores que bandido".


 

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