As defesas do delegado Braz Morroni e do policial civil Everton Rychelyson Aires se manifestaram nesta sexta-feira (5) sobre as prisões realizadas no âmbito da Operação Perfídia, que apura um suposto esquema envolvendo desvio e comercialização de drogas apreendidas, vazamento de informações sigilosas e outros crimes atribuídos a integrantes da Polícia Civil da Paraíba.
Em nota, os advogados de Braz Morroni afirmaram que o delegado se apresentou voluntariamente às autoridades ao tomar conhecimento do mandado de prisão e negaram qualquer tentativa de fuga ou ocultação.
“Voluntariamente se entregou e se prontificou a colaborar com as investigações. Não fugiu, nem se ocultou”, diz a nota.
A defesa também questiona a legalidade da investigação e da prisão temporária decretada contra o delegado.
“A investigação está contaminada por nulidades absolutas: origina-se de suposta denúncia de um traficante, não apresenta individualização mínima de conduta e sequer aponta elementos concretos de participação, ciência ou benefício do delegado nos fatos apurados”, afirmam os advogados.
Os defensores sustentam ainda que os fatos investigados seriam antigos e não justificariam a manutenção da prisão temporária.
“É constitucionalmente inadmissível a decretação de prisão temporária sem contemporaneidade aos fatos investigados, que remontam a 2023 e 2024. A medida não encontra amparo nos requisitos legais da Lei nº 7.960/1989”, acrescenta a defesa.
Outro ponto destacado na nota é um pedido apresentado à Justiça para que a prisão seja convertida em domiciliar por razões de saúde.
“A postulação está lastreada em laudos médicos que demonstram que o delegado custodiado se encontra em tratamento remissivo de câncer, circunstância que, por si só, torna a medida cautelar extrema flagrantemente desproporcional e incompatível com a dignidade da pessoa humana”, afirmam.
Já a defesa do policial civil Everton Rychelyson Aires informou que assumiu oficialmente a representação do investigado na quarta-feira (3) e afirmou que manifestações de outros advogados sobre o caso não representam sua situação jurídica.
“A defesa de Everton Aires reafirma sua inocência, seu compromisso com a busca da verdade real e com a garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. O trabalho técnico para assegurar a regularidade do processo e demonstrar a realidade dos fatos está sendo executado de forma profissional, sóbria, diretamente nos autos, como manda as melhores práticas profissionais”, declarou o escritório Iarley Maia Advocacia.
A Operação Perfídia foi deflagrada na última terça-feira (2) e resultou na prisão do delegado Braz Morroni e dos policiais civis Everton Rychelyson Aires e Eduardo Jorge Ferreira. Segundo a investigação, o grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa que desviava drogas apreendidas para revenda e mantinha ligação com traficantes. As acusações são negadas pelas defesas.