Desta vez, a ex-deputada federal, já condenada pelo assassinato do marido, é apontada como protagonista de um ambiente familiar marcado por práticas de incesto, manipulação psicológica e abusos sexuais contra filhos adotivos.
As informações ganharam destaque após declarações da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., onde foram detalhados aspectos da rotina dentro da casa de Flordelis.
Os relatos reforçam o teor de diversas acusações já levantadas durante o julgamento da ex-parlamentar, especialmente sobre como ela mantinha controle rígido e coercitivo sobre os membros da família.
A série de revelações reacende debates sobre a trajetória de Flordelis, que por anos foi vista como uma liderança religiosa e exemplo de caridade, até o desenrolar das investigações que culminaram em sua condenação em 2022.
Flordelis dos Santos foi condenada a 50 anos e 28 dias de prisão em regime fechado pela participação no assassinato de seu marido, o pastor Anderson do Carmo. O crime ocorreu em junho de 2019, em Niterói (RJ), e inicialmente foi tratado como latrocínio.
Com o avanço das investigações, a polícia concluiu que o assassinato foi planejado pela própria Flordelis, com a ajuda de filhos e outros membros da casa. A então deputada perdeu o mandato e foi presa preventivamente em 2021.
A investigação revelou uma série de irregularidades no ambiente familiar, incluindo acusações de envenenamento, manipulação de testemunhas e uso da religião como forma de controlar os filhos e seguidores.
Um dos trechos mais impactantes da entrevista concedida pela psiquiatra Ana Beatriz Barbosa ao podcast foi a descrição de como a casa era dividida em níveis hierárquicos.
Segundo ela, os filhos adotivos estavam organizados por categorias, com diferentes graus de acesso a alimentação e privilégios.
“A casa era separada em categorias. Tinha categoria 1, 2 e 3”, relatou Ana Beatriz. “Quem tinha acesso à comida… Porque o nível 1, por exemplo, que eram os adotados, entre aspas, porque na opção que não foi adotado, foi sequestrado, só tinha direito a pão e água.”
No relato, a psiquiatra afirma que para alcançar o nível mais alto dentro da casa, os meninos precisavam passar por rituais que envolviam relações sexuais com Flordelis. “No segundo nível, já tinha direito a alguma comida. Aí, pra passar pro terceiro nível, tinha um ritual. Se fosse menino, tinha que transar com ela”, afirmou.
Durante o julgamento, diversas testemunhas relataram práticas semelhantes às descritas pela psiquiatra. A delegada Bárbara Lomba, responsável pelo inquérito, destacou que Flordelis e Anderson mantinham relações íntimas com alguns dos filhos adotivos, o que contrariava totalmente os princípios legais e éticos de adoção.
Um dos depoimentos mais fortes veio de uma testemunha que viveu na residência nos anos 1990. Segundo ela, havia rituais envolvendo sangue, nudez e práticas sexuais. “Era uma verdadeira seita”, descreveu a testemunha. Os relatos sugerem que o ambiente era altamente controlador, com estruturas que impediam os filhos de contestarem as ordens da matriarca.
As informações reveladas até o momento indicam que Flordelis utilizava uma combinação de fé, ameaça e controle psicológico para manter sua autoridade sobre os filhos. A divisão da casa em níveis, os rituais para obter privilégios e os relatos de punições severas compõem um retrato de abuso contínuo ao longo dos anos.
Entre os elementos apontados pelos investigadores e especialistas está o uso da religião como ferramenta de coerção. A figura de Flordelis, tida como profeta por muitos, teria servido como escudo para práticas abusivas, muitas vezes naturalizadas pelos que conviviam na casa.
A manutenção desse sistema de poder dificultava denúncias e alimentava um ciclo de silêncio entre os filhos, a maioria em situação de vulnerabilidade social antes de serem acolhidos.
Com base nos relatos colhidos ao longo do processo e reforçados por entrevistas, alguns dos pontos mais relevantes sobre o ambiente na casa de Flordelis incluem:
Essas práticas, segundo os depoimentos, não eram de conhecimento público até o desenrolar do processo judicial e as investigações subsequentes ao assassinato de Anderson do Carmo.