15/09/2021 às 09h51min - Atualizada em 15/09/2021 às 09h51min

Homem filmado (assista) agredindo grávida é preso e diz que se tratava de 'briga de casal'

O Dia
Está preso o homem que foi filmado na tarde desta terça-feira agredindo uma mulher grávida de três meses no apartamento em que o casal morava com o filho da vítima no bairro Sarapuí, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A ação foi registrada por vizinhos que acompanhavam o histórico de violência contra a mulher e tinham até um grupo para se articular contra o crime. Nas imagens Maria José tenta se jogar pela janela para fugir do agressor. Vitor Batista fecha a janela ao perceber que está sendo filmado. Após a gravação, os vizinhos foram ao apartamento e o espancamento cessou. 

Na véspera, a vítima já havia pedido socorro em um bilhete lançado pela janela. O companheiro, soldador e motorista de aplicativo Vitor Batista, de 32 anos, percebeu o pedido e prometeu matar a vítima. Ele foi preso em flagrante por agentes da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Duque de Caxias por volta das 14h30 por tentativa de feminicídio, perseguição (stalking) e cárcere privado. Na unidade policial, Vitor afirmou que as sessões de espancamento eram "apenas uma briga de casal".

Por volta das 13h de terça-feira, policiais civis da Deam receberam, por diversos meios de comunicação, vídeos que davam conta de agressões. A equipe do Grupo de Investigação Complementar (GIC), em seguida, se reuniu para apurar os fatos. Durante as investigações, os policiais constataram que Maria José vinha sendo mantida em cárcere privado desde o último sábado (11), quando recomeçaram as agressões físicas e psicológicas em desfavor da vítima.

As agressões recomeçaram pelo fato de a equipe de investigação descobrir, por meio de testemunhas, que nos últimos nove meses a vítima vinha sendo agredida diuturnamente, inclusive com ameaças de morte para a vítima e o filho de apenas quatro anos, de outro relacionamento.

Para tentar esconder as marcas das lesões e não provocar o aborto do filho gestado pela vítima, o autor passou a agredir a vítima com tapas e socos na região da cabeça, sendo essa agonia acompanhada pelos vizinhos durante todo esse tempo.

Em maio, Maria José chegou a se jogar da janela para se livrar das agressões. Ela fraturou o pé e precisou passar por uma cirurgia e, segundo a polícia, precisou esconder os reais motivos das lesões para não ser morta. A relação durou quase dois anos e foi marcada pela violência.

"Ele tinha ciúme e era muito possessivo, não me deixava ir para rua, só para o trabalho. Inclusive perdi meu emprego. No que ele me agredia, eu ficava marcada e não podia trabalhar. Eu inventava desculpas, porque eu ficava dentro de casa", conta Maria José em entrevista ao RJTV2 da TV Globo. A vítima completou que acreditava que o companheiro mudaria de comportamento, por isso não o denunciava.

A delegada titular da Deam, Fernanda Fernandes, informou que o filho da vítima também era agredido. A delegada reforça a importância da ação dos vizinhos em casos de violência doméstica. "A vítima nunca acha que o companheiro terá coragem de matá-la", explica.
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