11/02/2021 às 21h08min - Atualizada em 11/02/2021 às 21h08min

Em relato forte, famosa ex-garota de programa diz que foi abusada pelo pai quando era criança

O Dia
Raquel Pacheco, que ficou conhecida no Brasil inteiro como Bruna Surfistinha, contou um pouco de sua vida familiar, antes de sair de casa aos 17 anos e entrar no mundo da prostituição. Ela revelou que foi abusada pelo pai quando ainda era criança.

"Eu tinha uns 7 anos e acordei com o meu pai passando a mão no meu corpo. Me assustei, mas não tinha noção do que estava acontecendo e aquilo nunca mais se repetiu. Mas só entendi e elaborei isso muito recentemente", contou. Raquel foi adotada pelos pais quando ainda era pequena e falou que nunca descobriu quem é sua mãe biológica.

Ela também disse que fez uma constelação familiar, técnica de terapia alternativa, e que teve uma revelação de quem é sua mãe biológica. "Passei a suspeitar que minha mãe biológica engravidou de um estupro e confirmei isso no terreiro [de umbanda] onde trabalho. Numa dessas práticas de constelação, minha mãe adotiva não conseguia olhar para a minha mãe biológica. Parei por causa da pandemia, mas entendi, com isso, que meu pai adotivo pode ser meu pai biológico", explicou.

Raquel disse que a consteladora entendeu a situação formada como um abuso sexual e ela disse que um guia do terreiro de umbanda teve a mesma percepção. "Ele sugeriu que fui fruto de um abuso e que a minha mãe tentou me abortar, não conseguiu e quase morreu. Minha adoção eu ainda não consegui decifrar. Porque não existe nenhum documento de adoção, e sei que isso é algo muito burocrático. Meus pais me contaram apenas que minha mãe adotiva queria ter mais um filho, não podia mais engravidar por um problema uterino e me pegou para criar", disse.

A ex-garota de programa falou acreditar que a mãe biológica pode ser uma tia ou alguém de sua família adotiva. Ela também analisa que sua figa de casa pode ter sido um alívio para a mãe adotiva, pois uma pessoa desse mistério todo foi embora. "Pode ser esse o motivo de ela não me aceitar até hoje", reflete.

Raquel disse que procurou a mãe para tentar descobrir mais sobre sua história quando o pai morreu, em agosto de 2012. "Naquele momento de dor, achei que seria mais fácil. Mas ela deixou claro que só falaria comigo via advogados. Em 2018, fui até seu prédio, mas ela não me recebeu. Depois, me atendeu ao telefone e disse que não me considerava mais sua filha", conta.

Consequências do abuso

Raquel Pacheco também disse que o abuso que sofreu quando criança foi um dos fatores que fez ela sair de casa e começar a se prostituir. "Não tive um pai herói, como acredito que a maioria das mulheres tem vontade de ter. E me culpava por isso porque sempre quis conquistar esse homem, sem entender que ele era abusador. Sentia que precisava dar a ele todo o amor que eu conseguisse", diz.

Ela também falou que quando percebeu que não conseguiria conquistar o pai ela passou a tentar incomodá-lo. "Ele sempre foi muito preconceituoso. Lembro de a gente assistindo à primeira edição do 'Big Brother' e de ele dizendo: 'Mulher que aparece na televisão de biquíni, tomando sol na piscina, é put*'. Se via alguém de short na rua, era put*", diz.

Já faz 16 anos que Raquel parou de se prostituir e hoje em dia ela se considera "aquela que deu certo". Ela explica que essa definição é porque conseguiu deixar a prostituição. "Não são todas que têm essa oportunidade. E tem aí o duplo sentido, em relação àquela minha frase que ficou famosa: 'Hoje não vou dar, vou distribuir'", diz.

Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha - reprodução

Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha - reprodução

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