06/07/2020 às 16h10min - Atualizada em 06/07/2020 às 16h10min

Laboratório de análises clínicas na aldeia Potiguara na Paraíba está ameaçado de fechar, diz cacique

O laboratório de análises clínicas destinado a atender exclusivamente a população indígena, na cidade Baía da Traição, pode estar prestes a ser extinto. O laboratório é único do tipo no país, é todo automatizado e com equipamentos de ponta, e funciona desde 1999, mas agora sofre a ameaça de ser fechado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão ligado ao Ministério da Saúde do Governo Federal.

Em 2019, houve a mesma tentativa de fechar o laboratório, mas o povo potiguara conseguiu impedir que a intenção fosse concretizada, mas neste ano o novo secretário especial de Saúde Indígena, Robson Santos da Silva, segue com a intenção de encerrar o laboratório, sob a alegação de que não existe previsão orçamentária.

O cacique geral do povo Potiguara, Sandro Gomes Barbosa, explica que o laboratório está localizado na Aldeia Forte e integra a estrutura do Polo Base de Baía da Traição do Distrito Sanitário Especial Indígena Potiguara. Ele destaca que por estar geograficamente perto da comunidade, o atendimento especializado fica muito mais fácil.

“O laboratório é muito importante para a gente. É uma diversidade de exames que temos acesso dentro de nossas próprias aldeias”, lamentou.
“Fizemos um estudo no ano passado. Sairá muito mais caro para o Governo Federal encaminhar os indígenas que precisam fazer exames para Mamanguape ou para João Pessoa do que manter o laboratório funcionando”, comentou.

O farmacêutico bioquímico Mário César da Fountora, que trabalha há seus anos em áreas indígenas paraibana e também no laboratório explica que o laboratório de análises clinicas da Aldeia Forte realiza anualmente entre 35 e 40 mil exames, sendo esses mais de 30 tipos além dos testes rápidos de Covid-19.

O professor da Universidade Federal da Paraíba, Estevão Palitot, que há 20 anos pesquisa e dialoga com povos indígenas nordestinos afirma que, a perda de um laboratório de referência como esse, principalmente por ser o único localizado dentro das terras indígenas, representa um grande retrocesso, por se tratar de um serviço que existe a mais de 20 anos e que tem conseguido atingir metas importantes no atendimento à população indígena paraibana.

Vitória Borges
Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »