25/01/2020 às 07h22min - Atualizada em 25/01/2020 às 07h22min

Judoca Rafaela Silva é suspensa por doping e fica fora da Olimpíada

Uol
Uma das principais esportistas brasileiras da atualidade, Rafaela Silva está fora dos Jogos Olímpicos de Tóquio. A não ser que consiga reverter na Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça, a suspensão aplicada nos últimos dias pela Federação Internacional de Judô (IJF) por doping. A atual campeã olímpica da categoria até 57kg do judô testou positivo para Fenoterol, substância presente em remédios para asma, e levou um gancho de dois anos.

Ainda não divulgada oficialmente pela IJF, a informação foi revelada pelo "Globoesporte.com" e confirmada pela reportagem do UOL. Após Rafaela receber o informe da suspensão, ela rescindiu o contrato com o advogado Bichara Neto e, nesta sexta (24), contratou o também especialista em doping Marcelo Franklin, que vai defendê-la no recurso na corte suíça.

A ausência de Rafaela é um problema duplo para a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) e para o Comitê Olímpico do Brasil (COB), que tem nela uma das maiores estrelas do Time Brasil. É que em Tóquio estreia no programa olímpico a disputa de judô por equipes e a categoria até 57kg é uma das três subdivisões de peso disputadas. Sem Rafaela, as chances de medalha também nesta prova caem consideravelmente.

Rafaela caiu no doping nos Jogos Pan-Americanos de Lima, quando conquistou, no tatame, a medalha de ouro. A informação circulou inicialmente como boato por semanas e foi a reportagem, por exemplo, que noticiou o caso ao tutor dela, Flávio Canto, enquanto ela estava disputando o Mundial. A confirmação veio em 20 de setembro, quase um mês depois, quando a própria lutadora concedeu entrevista coletiva para falar do então resultado analítico adverso.

Na ocasião, ela disse que sempre teve a "mania" de dar o nariz para bebês chuparem. Um desses bebês, Lara, filha de sete meses da judoca Flávia Rodrigues, teria recebido medicação contra asma antes de "brincar" com Rafaela em uma visita da campeã olímpica à sua casa. A explicação foi detalhada pelo bioquímico L.C Cameron, contratado especialmente para esse caso - num processo trabalhista contra o COB, ele alega que cobra US$ 800 por hora por consultorias em casos assim.

A defesa, formulada pelo especialista Bichara Neto, foi apresentada ao painel da IJF na semana passada, em vídeo-confederência. Do outro lado, outro especialista confrontava a tese da contaminação. No fim das contas, o painel parece não ter confiado na narrativa, tanto que a suspensão aplicada foi de dois anos.

Rafaela, que não havia recebido suspensão provisória, mas só disputou um torneio depois que o caso veio à tona, é a quarta colocada do ranking olímpico de sua categoria. Entre todas as categorias, só fica atrás, em pontos, das pesadas Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza, respectivamente terceira e quarta colocadas na +78kg. Mayra Aguiar, por exemplo, é sétima.

Agora a CBJ deve correr contra o tempo para tentar colocar Ketelyn Nascimento na zona de classificação da Olimpíada para substituir Rafaela. A atleta de 21 anos estreou com medalha de prata no Grand Slam de Brasília, resultado surpreendente, mas depois passou em branco no Grand Slam de Abu Dabi e, ontem (23), perdeu na primeira rodada do Grand Prix de Tel Aviv para a francesa Receveaux, 32ª do mundo. No 48º lugar do ranking olímpico, ela precisa chegar à 22ª posição em maio.
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