11/09/2019 às 20h47min - Atualizada em 11/09/2019 às 20h47min

Agredida com mais de 70 facadas faz alerta a mulheres em relações abusivas: ‘não existe ex-agressor’

G1
Vendedora Aline Guimarães foi esfaqueada mais de 70 vezes pelo ex-companheiro — Foto: Talita França/ TV Vanguarda
As marcas de uma relação abusiva são parte da imagem que a vendedora Aline Guimarães, de 38 anos, precisa encarar todos os dias. No dia 21 de julho ela foi esfaqueada mais de 70 vezes pelo ex-companheiro, que invadiu a casa dela por não aceitar o término do namoro.

Depois de passar três dias em coma e duas semanas internada, ela faz tratamento para recuperar os movimentos do lado esquerdo do corpo, relembra as agressões e faz um alerta para conscientizar outras mulheres que estão em relações abusivas.

“Hoje tenho essa consciência de que eu deveria ter tomado uma atitude antes. Não existe o ex-agressor. Agrediu uma vez, ele vai agredir a segunda, a terceira”, conta.

O agressor está preso na P2 de Tremembé e vai passar por audiência no dia 27. Ela teme que ele possa ficar livre e diz que ainda enfrenta traumas.

“Sinto muita dificuldade para conseguir dormir. Quando fechos os olhos, eu sonho muito com o que aconteceu. Tenho vários pesadelos”, disse.

Histórico

O caso correu pouco antes das 6h da manhã. “Acordei com um estouro de uma janela de blindex da lavanderia, ele subiu pelo telhado. E ele pulou de um lugar muito alto, inacreditável.

Quando escutei aquele estouro e a vizinha já gritando meu nome, porque segundo ela, já estava alerta porque o cachorro latia”.

De acordo com a vendedora, que está afastada do trabalho devido às lesões, o ex-namorado procurava ela há alguns dias para tentar reatar a relação, mas conta que em nenhum momento ela a ameaçou.

“[ele era] Politicamente correto, aquela pessoa que quando eu apresentava para alguém, todo mundo admirava. Ele era muito dedicado ao trabalho e à família”, explica.

“Quando saí da porta do quarto ele já estava na sala de frente para mim com uma máscara de lã que ele levantou e já estava com a faca apontada. Não teve nem conversa, já deu o primeiro golpe. Pedia muito para ele para parar e nisso os vizinhos começaram a sair na rua e a gritar”.

Antes disso, o ex-namorado já havia agredido ela, mas chegou a pedir perdão.

“Há um ano ele me agrediu por duas horas e me deixou cheia de hematomas. Eu estava decidida a não voltar, mas como eu gostava muito dele e ele me procurou dizendo que queria fazer tratamento, que ele queria me pedir perdão perante toda a família dele, inclusive ele fez isso, resolvi dar uma chance”.


Ela chegou a relatar medo dele em um áudio enviado a uma amiga (ouça abaixo). Agora, Aline espera que ele permaneça preso e pede justiça.

“Em relação à justiça, deixo na mão de Deus e das autoridades e quero que a punição seja de acordo com meu sofrimento. Tenho receio. Como o intuito dele, ele demonstrou que era de realmente me ver morta, tenho medo de que ele saia e possa me fazer alguma coisa”.
Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »

Você concorda com a redução da maioridade penal?

84.8%
15.2%