06/03/2017 às 03h05min - Atualizada em 06/03/2017 às 03h05min

Delúbio Soares morou em João Pessoa

Nonato Guedes
Os Guedes
Além de ter vindo a João Pessoa em 2011 para apresentar sua defesa diante das acusações de envolvimento com irregularidades na condição de tesoureiro nacional do Partido dos Trabalhadores, o professor Delúbio Soares esteve na Paraíba em outras ocasiões, a última em 2013. Ele almoçou com dirigentes do PT no Estado no restaurante Sagarana, destacando-se as presenças de Adalberto Fulgêncio, que presidiu por sete anos o Partido dos Trabalhadores e atualmente é auxiliar do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (agora filiado ao PSD). Antes disso, estivera reunido com empresários da construção civil no restaurante Boi Bumbá, na orla marítima, conforme revelou, na época, o jornalista Décio Alcântara em seu blog.

O atual governador Ricardo Coutinho, que foi filiado ao Partido dos Trabalhadores e dele saiu para entrar no PSB diante da recusa na concessão de legenda para ser candidato a prefeito da Capital, não esteve diretamente com Delúbio no período em que ele estava sendo bombardeado com acusações. Nem por isso o governador ficou desinformado sobre os passos de Delúbio em solo paraibano. Interlocutores de sua confiança, dentro do próprio PT, repassaram-lhe informações colhidas sobre o périplo do ex-tesoureiro nacional, celebrizado ao popularizar a expressão “dinheiro não contabilizado” para tentar justificar o uso de caixa dois que ele mesmo operou para favorecer campanhas de candidatos petistas e de aliados. Natural de Goiânia, Delúbio chegou a dizer que não havia nada de anormal nas suas vindas à Paraíba, pois aqui residiu e deixou amizades influentes. Ele era conhecido por frequentar aulas no campus da Universidade Federal da Paraíba.

A condenação na operação Lava Jato foi decretada pelo juiz Sérgio Moro, invocando como principal acusação o envolvimento de Delúbio Soares na prática criminosa da lavagem de dinheiro. O ex-tesoureiro chegou a ser expulso por unanimidade dos quadros petistas. A agremiação precisava de um “bode expiatório” para demonstrar à opinião pública que punia filiados seus flagrados em atos ilícitos. Posteriormente, no entanto, Delúbio foi readmitido nas fileiras do Partido dos Trabalhadores, que lhe deu, nesse caso, uma segunda chance. O ex-ministro José Dirceu, certa feita, saiu em defesa de Delúbio, alegando que ele estava sendo vítima da orquestração movida contra o PT.

Aguarda-se, agora, o desdobramento do processo que originou a decretação de prisão pelo juiz Sérgio Moro. O magistrado argumentou justamente que Delúbio Soares tinha maus antecedentes e que, portanto, a sua implicação em um novo escândalo de graves proporções justificava o seu retorno ao presídio. Dirigentes estaduais do PT paraibano, até o momento, não emitiram qualquer comentário sobre a nova prisão de Delúbio Soares. O prefeito Luciano Cartaxo tem passado ao largo de comentários sobre envolvimento de petistas em escândalos consecutivos. Para ficar à vontade, o alcaide, reeleito em primeiro turno em 2016, migrou para o PSD, dirigido pelo deputado federal Rômulo Gouveia. A militância no Partido dos Trabalhadores é uma página virada no curriculum de Cartaxo.

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