19/12/2018 às 12h55min - Atualizada em 19/12/2018 às 12h55min

Polícia encontra armas e dinheiro em armário de João de Deus

A Polícia Civil de Goiás apreendeu nesta terça (18) cinco armas de fogo e o equivalente a R$ 405 mil em dinheiro na casa de João Teixeira Farias, o João de Deus, em Abadiânia (GO). O material estava escondido em várias partes do quarto do médium, entre elas o fundo falso de um guarda-roupa. 

A quantia estava distribuída em malas e no esconderijo do armário. Havia cédulas de várias moedas, incluindo reais, dólares americanos e canadenses, pesos argentinos, euros e francos suíços. 

Já as armas, todas sem registro, estavam num baú, numa gaveta e numa caixa. Trata-se de dois revólveres de calibre 32 e um de 38, uma pistola 380 e uma garrucha, esta última com numeração raspada. Havia ainda munições diversas, entre elas algumas de uso exclusivo do Exército, e uma arma de brinquedo.

O delegado-geral de Goiás, André Fernandes, disse que o médium vai responder por posse ilegal de armas de fogo. A origem do armamento, bem como do dinheiro, ainda vai ser investigada. 

A delegada Karla Fernandes, coordenadora da força-tarefa que apura os supostos abusos sexuais cometidos por João de Deus, afirmou ser plausível que a fonte dos recursos sejam doações de fiéis, o que, segundo ela, não precisa der declarado ao Fisco. Segundo registros contábeis encontrados, só a livraria mantida pelo médium girava R$ 500 mil por mês. 

As buscas em três endereços, entre eles a Casa Dom Inácio de Loyola, local dos atendimentos de João de Deus, levaram mais de quatro horas. Peritos do Instituto de Criminalística de Goiás usaram substância que serve para detectar material genético, como sangue e sêmen, no recinto em que, segundo mulheres denunciantes, ocorriam as violações. 

Até a sexta (21), a Polícia Civil espera concluir o primeiro inquérito do caso João de Deus. Ele deve ser indiciado por posse sexual mediante fraude, cuja pena é de até seis anos de reclusão em regime fechado, por suposto abuso de uma mulher que procurou atendimento em 24 de outubro.

Ela contou aos policiais que João de Deus a levou para o quarto de atendimentos individuais e a massageou na região sob o ventre, com a justificativa de dissipar uma energia ruim. Em determinado momento, teria notado que o médium estava com o pênis de fora e reagido, deixando o recinto.

Segundo as investigações, João de Deus ofereceu um quadro religioso à mulher e a presenteou com uma pedra. "Em depoimento, ele confirmou ter oferecido a obra de arte, mas disse não se recordar da pedra. E negou ter molestado a paciente. A prisão preventiva está decretada com base nele [esse inquérito], então há prazo para ele ser concluído", explicou Fernandes.

Folha


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