07/01/2017 às 15h12min - Atualizada em 07/01/2017 às 15h12min

Furdunço na Delegacia

Na noite do dia 31 de dezembro, enquanto vocês estavam começando as comemorações da chegada do ano novo, eu recebi uma ligação do amigo querido. A Lei seca flagrara suas cervejinhas e estava na Delegacia. Corri para resolver o problema, mas o Delegado tinha 2 outros casos para atender antes do nosso.

No primeiro deles, um casal tentava conven
cer a autoridade a mandar policiais até uma padaria para liberar a ceia que haviam encomendado. É que a tal padaria havia fechado às oito da noite, mas eles só chegaram lá uma hora e meia depois, não encontrando ninguém. Enquanto o Delegado perguntava detalhes, o marido disse à mulher que a culpa era dela, porque demorara demais no salão de beleza. Ela ficou brava e disse que ele deveria ter ido buscar a encomenda enquanto ela se embelezava, mas no mínimo “-Tinha ido atrás de alguma sirigaita”.  Ele engrossou: “- Pelo menos as sirigaitas chegam na hora”.

O Delegado colocou os dois em salas separadas para esfriarem a cabeça e chamou o segundo caso, um bêbado preso desde as duas da tarde, recolhido quando perturbava os clientes de um bar, dizendo ser irmão do Juiz Sergio Moro. O problema é que o bêbado, não se sabe como, estava mais bêbado ainda. Disse ao Delegado que havia mentido. Na verdade, ele era o pai do Papa Francisco. Claro que voltou para as grades.

Chegara nossa vez, mas quando o Delegado nos chamou, começou o pipoco dos fogos anunciando a chegada de 2017. O marido e a mulher, que estavam em salas separadas, correram para o gabinete do Delegado e abraçaram-se chorando. De longe ouvíamos o bêbado cantar a plenos pulmões “- Adeus ano velho, feliz ano novo...”. Naquele momento o Delegado descobriu que seu plantão havia acabado. Resolveu rapidamente a nossa bronca e foi aí que meu amigo teve a grande ideia de convidar todos, desde o casal sem ceia até o Delegado, para sua casa, onde a família havia preparado uma tremenda festa à beira mar (ele mora numa espetacular mansão no Bessa) com direito a show de uma famosa banda e muito champanhe, que começamos a tomar à larga. 

Lá pras tantas a banda parou de tocar e ouvi uma voz já conhecida, fazendo um discurso inflamado sobre o futuro do Brasil, garantindo que neste ano de 2017 todos os políticos corruptos serão presos. Ao me aproximar do palco reconheci... o bêbado parente dos famosos, que alguém havia libertado e estava se achando o próprio Temer.
Que Deus ouça os bêbados também. 

(Para Edivaldo Leite, que vai ler esta coluna na beira mar do céu)
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