10/01/2018 às 14h20min - Atualizada em 10/01/2018 às 14h20min

Estamos sendo condescendentes com Maranhão?

Algumas regras se impõem entre as criaturas descentes (ou nem tanto):

Não se atinge crianças.

Não se bate em mulher.

Nem se desrespeita idosos.

E a longevidade de José Maranhão com certeza tem pesado nas leituras softs e delicadas sobre suas decisões.

As “penas” de fato estão leves nas críticas e julgamentos sobre as peripécias do velho Maranhão de guerra.

Não se acentua, por exemplo, sua sanha por protagonismo – que o faz partir a palavra empenhada como integrante e mentor da aliança formada entre os partidos da oposição.

Uma aliança forjada para vogar sim no jogo eleitoral de 2018 – e qualquer letra dita agora em sentido contrário por Maranhão não pode ser creditada a um lapso de memória.

Porque, aos 85 anos, Maranhão tem sim boníssima memória.

Especialmente da doçura que é comandar a Granja Santana.

Já o fez por três vezes. E agora quer emplacar a edição IV – mesmo que isso implique no tratoramento dos sonhos e planos de seus liderados.

Por que os desejos do octogenário Maranhão são superiores aos do MDB?

Da concretude do partido, via Manoel Júnior, herdar a Prefeitura de João Pessoa?

Ou da eleição de Hugo? De Venê? Dos Nabor e dos Paulinos?

O trator de Maranhão passa, sulcando as almas, e a reverência é mantida.

– Ele é esperto. É um ás do jogo político. Faz o que pode e deve ser feito.

Análises tão benevolentes que só podem mesmo ser compreendidas pelo culto à idade e a obsequiosidade que os longevos despertam.

Nem mesmo suas performances duvidosas nas urnas são lembradas. O Maranhão que quer voltar pela quarta vez ao Palácio da Redenção só foi eleito uma única vez. E perdeu sucessivamente nas disputas majoritárias (2006, 2010 e 2012).

Maranhão conquistou, de fato, uma espécie de licença poética para operar, sem sentir o peso das conseqüências, todos os desejos e idéias que se formarem no seu telhado mental cuidadosamente tingido.

A terceira idade o teria tornado inimputável?

Uma coisa é certa:

Posturas análogas não seriam tão aceitáveis se partissem de outros personagens mais “batíveis”.

Cássio Cunha Lima não teria a mesma condescendência da mídia que cobre a política na Paraíba caso decidisse romper com a aliança que firmou entre os pares da oposição.

Luciano Cartaxo seria demonizado se, por exemplo, se insurgisse contra a cúpula do PSD.

E Ricardo Coutinho também apanharia, sem dó nem piedade, se viesse a mudar drasticamente a rota dos seus planos eleitorais.

Simplesmente porque têm idade pra apanhar.

Aos 85 anos, Maranhão faz o que quiser. E terá sempre direito a um respeitoso cafuné.

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