19/02/2017 às 07h27min - Atualizada em 19/02/2017 às 07h27min

Na Marquês de Sapucaí

Há alguns anos e graças ao convite do amigo Efraim Morais fomos ao camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro assistir o desfile das escolas de samba. Antes já tínhamos visto o espetáculo, mas ocupando uma frisa, comprada por um preço exorbitante, somente porque ficava em frente ao camarote da Brahma, palco das celebridades. Ali eu presenciei a Marquês de Sapucaí gritar em peso quando a atriz Suzana Vieira, recém abandonada pelo namorado, adentrou o camarote: “- Côrna, côrna”! Horrível. Pior ainda foi chegar e sair do local. Longos trechos a pé para conseguir taxis, a insegurança latente e mesmo na frisa, o serviço de bar era péssimo e caríssimo. 

No camarote a agua se transformou em vinho. E vinho raro. Fomos até a belíssima sede da Prefeitura em Botafogo (antiga embaixada inglesa) de taxi, e essa foi nossa última despesa. Recepcionistas belíssimas nos entregaram camisetas personalizadas e em seguida fomos ao salão principal, onde começou o derrame de uísque e champanhe das marcas e safras mais raras existentes. Canapés de caviar e outras preciosidades culinárias eram servidos à larga.

Saímos da embaixada inglesa em direção ao sambódromo escoltados por motociclistas. Em cada Van iam somente dois casais. Nossas companhias eram o (então) Deputado Ronaldo Caiado e sua esposa. Desembarcamos direto no camarote, e lá finalmente entendemos a enormidade do presente que recebêramos. O camarote ficava ao lado do espaço do recuo das escolas, com ar condicionado central, dois restaurantes (comida internacional e comida japonesa), cabeleireiros, massagistas, garçons prestativos e muito, muito uísque e champanhe. 

Gente famosa, mas famosa mesmo, em cada metro quadrado. O espetáculo das escolas de samba poderia esperar porque sempre existem vídeos, mas aquelas pessoas bonitas, ricas e famosas, bebendo e comendo do melhor, com aquelas conversas que eu jamais escutei por aqui, quase me convenceram de que ser rico e famoso é bom. 

Ao final dos desfiles, nós todos ganhamos caixas enormes de vodca Gray Goose e luxuosos estojos de maquiagem MAC.
Quando enfim uma limusine nos deixou no hotel, Leca me segredou: “- Negão, sabe que eu seria capaz de me acostumar com isso? ”.
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